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Verdades da Velhice (Por: Pe. Anísio Baldessin)

Verdades da Velhice

Verdades da Velhice

Por: Anísio Baldessin 

“É preciso ter filhos para não ficar sozinho na velhice”. Essa frase nasce de uma lógica compreensível. Ou seja, quem gerou, educou e sacrificou tanto, espera ser amparado quando a fragilidade chegar. Mas a vida real, com suas mudanças profundas, tem mostrado que nem sempre é isso o que acontece. Pois, os filhos têm suas próprias famílias, crises e desafios. Os amigos envelhecem juntos com você, enfrentando suas próprias limitações. E a sociedade moderna, não foi desenhada para valorizar e cuidar dos idosos como deveria. Confúcio, grande pensador e filósofo chinês ensinava: “Quem constrói sua casa em terreno alheio, sempre viverá na insegurança”. Não é exatamente isso que fazemos quando contamos primariamente com os outros para o nosso próprio bem-estar, especialmente na velhice? Parafraseando o grande filósofo chinês, aqui vão algumas verdades da velhice. 

A primeira, é a perda da mobilidade. Isso acontece quando perdemos a capacidade de locomoção. Para essa perda, Confúcio faz a seguinte recomendação: “a liberdade começa nos pés. Aquele que pode mover-se, ainda é mestre do seu destino”. Portanto, não negligencie a atividade física com as velhas e tradicionais desculpas tais como: não tenho tempo, estou cansado, vou fazer isso quando me aposentar. Pode ser que quando se aposentar e tiver tempo livre, seu corpo esteja cobrando o preço. A segunda verdade é a simplicidade financeira. Embora não seja simples aceitar, essa é uma verdade. “Quanto menos você precisa, mais rico você é”. Quando sua capacidade de ganhar dinheiro diminui, sua maior segurança financeira não vem de ter muito e sim de precisar de pouco. Confúcio observava: “O homem rico é aquele que mesmo com pouco, não deseja mais, e o homem pobre é aquele que, mesmo possuindo muito deseja mais”. Ele dizia: “A simplicidade é a sofisticação suprema. Pois quando você precisa de pouco, você é livre. Quando precisa de muito, é prisioneiro”. 

A terceira verdade é a rotina de saúde. Seu escudo contra a vulnerabilidade na velhice não é sua casa, seu carro, sua conta bancária, é a sua saúde. Pois sem saúde, tudo perde o significado. Confúcio dizia: “A saúde é a coroa na cabeça do homem saudável que apenas o doente consegue ver”. Você só compreende o valor real da saúde quando perde. É importante lembrar que na velhice, o corpo não dá uma segunda chance. Aquele cigarro que você fuma, o sedentarismo, a alimentação descuidada, a falta de cuidado regulares, cobram um preço alto e rápido. A rotina de saúde que Confúcio valorizava não precisa ser complexa ou cara, precisa ser consistente. Ou seja, caminhar regularmente, comer menos processados e mais naturais, dormir adequadamente, exames preventivos, não negligenciar sinais que seu corpo envia.  

A quarta verdade é resiliência emocional. Confúcio observava: “O homem forte não é aquele que nunca cai, mas aquele que se levanta cada vez que cai”. Na velhice, cairemos muitas vezes. Afinal, perderemos pessoas da família, amigos, doenças vão aparecer e com isso várias limitações. Por isso, precisamos condições para atravessá-las. No entanto, não espere que seus filhos e/ou amigos preencham seu vazio existencial, e nem culpe o mundo por suas perdas. Pois, é possível estar sozinho sem se sentir solitário. 

A quinta verdade é saber quem você é. Confúcio dizia: “O homem sem princípios firmes é como um barco sem âncora jogado para todos os lados pelo vento das opiniões alheias”. Na velhice, você vai enfrentar muitas pressões para abrir mão de sua autonomia, suas escolhas, seus valores. Se você não tem um código pessoal de valores firmemente estabelecido, você vai se curvar a essas pressões, permitirá que outros decidam por você, vai renunciar a sua autonomia gradualmente até não ter mais nenhuma. 

Por fim, aqui está a última verdade que Confúcio nos ensina: “A preparação é feita na juventude, na maturidade e a colheita na velhice”. Seguindo essa recomendação, é fácil entender que aquele que não planta, não tem o direito de reclamar da falta de frutos. Então, a hora é agora. Comece hoje a construir sua mobilidade, simplifique suas finanças hoje, estabeleça rotina de saúde hoje, desenvolva resiliência emocional hoje e clarifique seus valores pessoais hoje. Pois, no futuro você não vai se arrepender de ter sido disciplinado, de ter feito escolhas difíceis, de ter investido em si mesmo. Vai apenas se arrepender de não ter começado mais cedo. Confúcio nos deixa esta sabedoria final: “O melhor momento para plantar uma árvore foi vinte anos atrás e o segundo melhor momento é agora. 

Pe. Anísio Baldessin é teólogo, especialista em Administração Hospitalar e Gestão de Pessoas, com ampla atuação em humanização, bioética e assistência espiritual em saúde. Autor de livros e artigos sobre pastoral da saúde e espiritualidade, dedica-se à reflexão sobre o cuidado integral, unindo dimensões humanas, éticas e espirituais. Neste blog, compartilha reflexões sobre saúde, espiritualidade e o sentido da vida. 

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor, não refletindo, necessariamente, o posicionamento institucional ou a realidade do IBCC. 

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