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Quando procurar ajuda? IBCC destaca importância dos cuidados com a saúde mental e emocional

Quando falamos sobre sofrimento emocional e psíquico acessamos o mundo subjetivo do ser e essa questão é amplamente impactada pela forma como cada um se relaciona com o mundo, suas crenças, valores e sua visão de mundo. O ser humano por si só e de uma forma inata tem uma capacidade de se organizar frente aos fenômenos que ocorrem ao longo de sua vida, mas em alguns casos, independente da ordem e dimensão desses fenômenos ocorre a presença de sofrimento emocional e mental através de sintomas, segundo o psicólogo Gilmar Rodrigues, entre eles: Mudança no padrão de comportamento; Alteração de humor; Alteração no padrão de sono e alimentar; Isolamento social; Perda ou ganho de peso; Perda de interesse em atividades que eram frequentes; Baixa autoestima.

Levando-se em conta que alguns desses sintomas são considerados “comuns”, muitas pessoas não têm a capacidade de identificar que isso se trata de sofrimento emocional e mental, situação essa que pode ao longo da vida tornar mais grave sua saúde mental, implicando em grandes prejuízos em sua condição existencial no todo. Ainda segundo o psicólogo, o desafio de aceitar ou não procurar um profissional de saúde mental, também envolvem várias questões. “Um dele é o tabu, pois quem procura um profissional de saúde mental ainda hoje e visto como “anormal”, a falta de informação e conhecimento sobre o real trabalho do Psicólogo, outro é a dificuldade para entender e aceitar que sofrimento emocional e psíquico são reais e causam grande impacto na vida das pessoas e um trabalho de conscientização, sensibilização e divulgação sobre o tema ajudaria a sociedade num todo a aproximar-se dessa questão que é de extrema relevância”, destaca.

Janeiro branco foi criado para propor essa reflexão nas pessoas: o quanto elas conhecem sobre si próprias e suas emoções. É uma época de contribuir para o desenvolvimento e disseminação do conceito de psicoeducação entre as pessoas e as instituições, favorecendo o desenvolvimento de políticas públicas relativas ao universo da Saúde Mental em todo o país e no mundo.

Para Juliana Guedes, psicóloga do IBCC Jaçanã a nossa sociedade é produtora de sofrimento psíquico e encontra relevantes dificuldades para compreender e estabelecer importantes críticas e reflexões nos meios sociais e familiares sobre o estabelecimento das relações e a produção desse sofrimento. “Estamos imersos em uma sociedade em que o sucesso, o dinheiro, o corpo estão colocados como ideias, em que o sujeito precisa ser perfeito em todos os aspectos de sua vida, para que então seja digno do olhar e da admiração do outro. Vivemos em tempos de ideias, de sujeitos perfeitos, que não podem carregar em si e não suportam a própria falta e a falta do outro. Encontramos sujeitos que não estão apropriados de seus desejos, mas vivenciam o desejo que é do outro, o desejo que lhe é imposto. Com isso, esse sujeito vai cada vez mais se distanciando de si, produzindo então, grande sofrimento psíquico. Esses são algumas das fontes dos adoecimentos, como a ansiedade, a depressão os chamados transtornos de pânico e alimentares, insônias, nos revelando sintomas da vida de um sujeito em conflito consigo, com seus desejos e com as necessidades sociais impostas”, detalha a psicóloga.

Estar atento a si mesmo é extremamente importante para que se possa reconhecer quando algo não vai bem, quando há um momento de maior fragilidade emocional, segundo Juliana. “Reconhecer quando essas mudanças em seu dia a dia e sua rotina acontecem é uma forma importante de reconhecer o próprio sofrimento e o quanto esse sofrimento atravessa a sua vida, e estar minimamente disposto a olhar para esse momento é um dos caminhos para começar a compreender a necessidade do cuidado e da procura de um profissional”, acrescenta. É preciso estar disposto ao cuidado e possibilidade de mudança, além de também ser necessário se despojar de seus próprios preconceitos diante do psicólogo. A construção de críticas e reflexões nos ajudam a olhar para a produção de sofrimento com novas perspectivas.

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