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Pós Leucemia, atleta paulista vence seletiva americana na natação para disputar Mundial

Rodrigo Cristiano Machado, atual Campeão olímpico dos Jogos Mundiais dos Transplantados, retorna dos EUA com 5 medalhas de Ouro para disputar o World Transplant Games em 2019

 Em 2017, o bancário Rodrigo Cristiano Machado, levou 2 ouros e 3 pratas com recorde mundial na natação durante as Olimpíadas dos Transplantados (World Transplant Games), em Málaga, na Espanha. Ainda em tratamento pós a leucemia, o transplante de medula óssea e um novo câncer secundário, o atleta retorna de Salt Lake City, nos Estados Unidos, onde participou do Transplant Games of America, seletiva norte-americana para os Jogos Mundiais de 2019, que serão disputados em Newcastle, na Inglaterra.

Na seletiva nos EUA, Rodrigo (45 anos) participou no final de semana (03 e 04 de agosto), de 5 provas e trouxe 5 medalhas de ouro (200m Medley com recorde americano TGA/D2 absoluto, 100m livre, 100m costas com recorde americano TGA/ D2 categoria, 50 m costas, 50m peito com recorde americano TGA/D2 absoluto). Ele e mais dois transplantados representaram o Brasil, junto a outros transplantados norte americanos e internacionais em prol das doações nos EUA e no mundo.

 

No IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), Rodrigo Cristiano realizou o Transplante de Medula Óssea alogênico em abril de 2013. Sua doadora foi a única irmã Renata Cristina Machado. “Desde que comecei meu tratamento estabeleci vínculos de confiança e respeito com a equipe médica do IBCC, que neste ano de 2018 se tornou a maior estrutura de transplante de medula em número de leitos na América Latina. Eles me ajudaram muito a superar a doença e todas as suas consequências”, afirma o atleta.

Atualmente o tratamento permanece em fase de manutenção. De acordo com a Dra Maria Cristina Macedo, onco-hematologista do IBCC que acompanha o Rodrigo desde o seu diagnóstico, ele recebe infusão de células da doadora para estimular o sistema imunológico a cada dois meses. “Faz parte da manutenção esse procedimento. O Rodrigo tem liberação para a prática de atividades físicas e supera muito bem esse período”, destaca. 

O Brasil é uma referência mundial quando o assunto é doação de Medula Óssea. Segundo o REDOME, Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea existem mais de 3.700 milhões de doadores cadastrados, sendo o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado, segundo informações oficiais do REDOME.

Apoio para representar o Brasil

As Olimpíadas dos Transplantados (World Transplant Games), acontecem desde 1978, a cada 2 anos, e contam com a participação de mais de 70 países. As competições, apesar de já terem acontecido nos cinco continentes, nunca teve o Brasil como Sede. Um dos propósitos é dar visibilidade aos benefícios do transplante de órgãos, trabalhar para conscientizar a sociedade sobre o seu sucesso e, assim, aumentar as taxas de doação de órgãos, bem como promover a reabilitação completa e bem-estar dos participantes.

Segundo Rodrigo Machado, os Jogos servem de inspiração e motivação para diversos outros pacientes com doenças graves, como câncer e outras, especialmente aqueles que necessitam de transplantes. “Representar o Brasil nos Jogos foi um grande sonho e ganhar as medalhas algo ainda maior. E é importante que todos saibam que servem de incentivo para as outras pessoas entenderem a importância da doação”, destaca o atleta. Em 2017, o cadastro de doadores de medula óssea caiu 14%. Divulgar a existência dos jogos é uma forma de apoiar no processo de cura e aceitação da doação através do esporte, proporcionando uma vida mais saudável.

“Para que consiga representar o Brasil é preciso de apoio financeiro. Não é fácil, mas é uma luta constante para apresentar a todos não só os Jogos, mas como pessoas que precisam de transplante podem melhorar a qualidade de vida com a participação de toda a sociedade”, declara Rodrigo Machado.

Brasil nos Jogos

A delegação brasileira teve a sua maior representatividade nos Jogos de 2017, em Málaga (Espanha), com 6 atletas e um total de 10 medalhas (3 ouros, 5 pratas e 2 bronzes). Diferente de outros países, a delegação brasileira não conta com apoio privado e/ou governamental e todos os atletas precisam arcar com os custos através de recursos próprios. “Os Jogos são ainda uma grande oportunidade de intercâmbio cultural, conhecer tratamentos e conversar com pessoas que estão na mesma situação de saúde que nós, brasileiros. Fica aqui o nosso pedido”, sintetizou o atleta.

Com a médica do IBCC, Dra. Maria Cristina

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