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Dia das mães especial para Dona Francisca. Após completar 100 ciclos de quimioterapia ela conta como superou o câncer de mama metastático há mais de 7 anos

Francisca Iraci Vieira, 46 anos, completou essa semana seu ciclo 100 de quimioterapia por conta de um câncer de mama metastático descoberto há 7 anos. Na época do diagnóstico ela tinha 39 anos e estava fora da idade recomendada para fazer mamografia, o principal exame de rastreamento e diagnóstico da doença. Sempre muito preocupada com sua saúde, ela fazia anualmente consultas com ginecologista, check-up e ultrassonografia das mamas, sem nunca ter sido surpreendida com resultados alterados.

Fotos: Francisca em sua sessão 100 de quimioterapia

 

O dia 2 de setembro de 2012 foi um dia diferente. Sem estar na época de realizar sua consulta, ela precisou visitar o médico por conta de uma alteração no tamanho das mamas. “Eu sempre tive uma mama maior do que a outra, brincava que era defeito de fábrica, mas durante um almoço na casa de uma amiga ela não parava de dizer que minhas mamas estavam muito diferentes, que achou estranha essa diferença. Quando cheguei em casa meu marido também reparou. A única coisa que eu sentia era uma elevação parecida com um osso em cima do seio esquerdo, parecida inchado o local, mas parecia um “ossinho”. Procurou o médico e ao fazer o exame de ultrassom foi surpreendida com a notícia de ter sido aconselhada a buscar um mastologista urgente porque o exame não estava nada bom”, conta.

Ao procurar o mastologista e realizar a biópsia a suspeita se confirmou, Francisca estava com câncer de mama, estágio avançado, haviam dois nódulos e, após 1 ano e meio, evoluiu com metástase para os ossos, um tipo de câncer muito agressivo. A pedagoga e mãe de Lucas Vieira, 28 anos, e da Larissa Vieira, 20 anos, ficou muito assustada, mas disposta a fazer tudo o que precisava para combater a doença. “Encarei de frente, eu precisava fazer as quimioterapias, fiz a retirada da mama e todos os tratamentos recomendados. Meu filho, que é o mais velho, que tinha 21 anos, me ajudou muito nessa jornada e o apoio da família foi fundamental”, declara.

Francisca faz a cada 21 dias o ciclo de aplicação de quimioterapia e consultas regulares no IBCC nesses 7 anos. Na época da descoberta os médicos do consultório não foram otimistas. “Em outro hospital um chegou a me dizer que eu não teria mais de 1 ano de vida. Mas eu busquei outras opiniões e aqui encontrei um estudo de Pesquisa Clínica em que eu me encaixava em todos os critérios e aceitei fazer o tratamento por esse protocolo. E olha aí, já se foram 7 anos e estou aqui firme e forte”, completa.

De acordo com o médico coordenador da Pesquisa Clínica, Dr. Felipe Cruz, Francisca fez quimioterapia com medicamentos que atuam contra o câncer de mama metastático para ossos em primeira linha (primeiro regime de quimioterapia para doença metastática) e na época o protocolo ainda não era liberado no Brasil. “O ponto forte do tratamento é que trata-se de um esquema que atua diretamente numa mutação específica para um tipo de câncer. O dela consistiu no bloqueio duplo do HER 2, um gene responsável pela multiplicação de algumas células do câncer de mama e a tolerância dela ao tratamento foi muito boa, o que a permitiu levar uma vida praticamente normal nos últimos anos”, finaliza o médico.

No Brasil, apenas 4 Centros de Pesquisa possuem esse estudo que totaliza 40 pacientes randomizadas (que aderiram ao tratamento). No momento, o estudo conta com 9 pacientes ativas (que fazem o tratamento), incluindo Francisca e outras 10 pacientes em follow-up de sobrevida (não fazem mais uso da medicação, mas são acompanhadas pela equipe do estudo).

100 ciclos de quimioterapia

Não existe um padrão de quantidade de sessões de quimioterapia que são realizadas em média dentro de um tratamento como o de Francisca. Ainda de acordo com o médico, depende do tipo de doença, estágio e indicações médicas.

Francisca e a técnica de enfermagem Lenilda Magalhães.

“Mas o fato de ela completar 100 ciclos de tratamento significa que a resposta tem sido duradoura e está de acordo com o objetivo de deixar cada vez mais o câncer metastático como uma doença crônica passível de controle, que é o atual quadro dela”, completa o médico.Outro fato que contribui para a boa tolerância ao tratamento é por ser uma droga alvo molecular e de perfil de toxicidade adequado. Atualmente esse tratamento já é liberado no Brasil. A aprovação foi há 5 anos e já está comprovado o benefício tendo se tornado o tratamento padrão para câncer de mama HER 2 positivo. 

Mesmo fazendo suas sessões de quimioterapia, Francisca usa um regime de drogas que não causa queda de cabelo. “Ela chegou a usar uma medicação chamada docetaxel que causava alopecia (queda de cabelo), mas com a manutenção do pertuzumab e trastuzumab esse efeito não acontece mais.

 

Foto da família: Lucas (filho), Luiz (esposo), Francisca (paciente), Valdecir (irmã) e Larissa (filha).

 

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